Tenho ouvido, assistido e lido tanta bobagem, falando sobre rock que, como de praxe resolvi mostrar a minha visão, concordem ou não.
Infelizmente até agora, ninguém conseguiu definir verdadeiramente o que é rock, rebeldia sem causa,”ogrisse”, espírito destrutivo, sujo, maltrapilho, humilhar e destratar os diferentes de si, que a única música de qualidade é rock e apenas algumas tem “qualidade”, além da maior babaquice que ouvi até hoje: Se seu pai gostar não é rock”, e por aí vai.
Será que mudou o rock ou mudamos nós, existe um texto do Mario Prata (Os cinqüentões) que define muito bem algumas dessas mudanças. Só para constar na mais tenra infância já escutava Beatles e aos 10 anos já tinha uma banda, que tocávamos aos sábados no pátio da escola “Maestro Fabiano Lozano na Vila Mariana, no intervalo da aula (Boas lembranças, Percival, Silvio, eu e o Japonês que não lembro o nome). Aí veio Beethoven, Jovem Guarda, Tonico e Tinoco. Aos 14 já viajava com Black Sabath, Alice Cooper, Slade, Elvis, passando por Yes, Genesis, Dylan, Hendrix, Joplin, passando também pela Black Music(Motown) e discoteca e tantos outros que ficaria muito cansativo citar todos.
Além disso, pertenço a uma outra “tribo”, também mal “mostrada” que é a dos motociclistas sempre colocados como bandidos, drogados e etc, mais ou menos como os “roqueiros”.
Nessas duas categorias existe uma visão deturpada do que são, na parte da música podem falar que não entendo de música, afinal ha décadas que não toco mais nada, mas até hoje ninguém conseguiu me dizer quais são os critérios para analisar se uma música é boa, o máximo que conseguiram foi um argumento bem fraquinho dizendo que “é só ouvir”, se não existem critérios para análise posso apenas dizer se gosto ou não, mas precisamente sobre o roqueiro suas três premissas são atitude, opinião e argumento.
Atitude é me posicionar de acordo com “minhas” idéias, não somos drogados nem temos medo de dizer que se drogar é babaquice, somos contra corrupção seja feita por quem for e não apenas pelo inimigo, assumir nossa posição de formadores de opinião e que se a gente fizer coisa errada tem muita gente que vai copiar temos responsabilidades sim, não perdemos nosso senso de justiça e vergonha. Não somos rebeldes sem causa, isso é coisa de filhinho de papai, que não tem cultura, opinião para sustentar uma idéia sua e fica simplesmente repetindo aquilo que escuta sem se preocupar se faz sentido ou não. Quanto aos argumentos, muitos daqueles que se acham, não conseguem sustentar uma conversa de cinco minutos, não tem conteúdo, mas fazem uma pressão tremenda nas redes sociais.
Tenho uma história muito antiga, dava aula para um programa social do Senac para jovens de 16 a 21 anos com baixa renda família, e uma das tarefas era despertar os sonhos que cada um deles tinha e incentivá-los a lutar por ele. Ao indagar a um dos alunos, ele me disse que seu sonho era um dia ser baterista de uma banda igual a do meu filho, esse cara apesar de todas as dificuldades aprendeu bateria e alguns anos depois foi tocar na Fistt de Jundiaí, esse pra mim é roqueiro, lutou pelo que queria e conseguiu, pra mim esse é roqueiro.
Criei dois filhos de forma correta, tenho o respeito de minha mulher e meus amigos, continuo querendo fazer minha tatuagem, podem apostar que ainda vou dar um mosh em algum dos shows que freqüento, vou continuar a andar de moto com bota e blusão de couro e camiseta preta, vou continuar vestir um terno quando se fizer necessário, jogar minha bolinha todo fim de semana, sem jamais ter sequer experimentado drogas, e falta de oportunidade não foi. Continuo ouvindo de Tonico e Tinoco a Chitãozinho e Xororó, de Reginaldo Rossi a Chico Buarque, de Beethoven a Beatles, de Hanson a Rage Against The Machine, de Restart a Vowe, de Exalta Samba a Paulinho da Viola, sem juízo de valores de cada um, apenas ressaltando os diferentes.
Não sou novo nem velho, sou apenas eu mesmo, um roqueiro motociclista…
Publicado em Geral | 1 Comentário »